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O que aprendi sobre o sono atendendo pacientes ao longo de mais de 30 anos - Dia Mundial do Sono

Todos os anos, o Dia Mundial do Sono, o World Sleep Day, chama a atenção da sociedade para um tema essencial para a saúde, mas que muitas vezes é negligenciado: a importância de dormir bem. A data, promovida pela World Sleep Society, busca conscientizar a população sobre os impactos que o sono tem na qualidade de vida.



Ao longo da minha trajetória na medicina do sono, iniciada em 1991, tenho observado algo que se repete com frequência no consultório: muitas pessoas convivem durante anos com problemas de saúde cuja origem pode estar no sono.

Não é raro receber pacientes que relatam cansaço constante, dificuldade de concentração, irritabilidade, dores de cabeça ou queda de rendimento no trabalho. Alguns já passaram por diferentes tratamentos e utilizam vários medicamentos, mas continuam sem entender por que se sentem tão cansados. Em muitos desses casos, ao investigar melhor, encontramos um fator comum: um distúrbio do sono que nunca havia sido diagnosticado.

Estudos internacionais indicam que até 45% da população mundial apresenta algum tipo de problema relacionado ao sono, como insônia, sonolência excessiva ou distúrbios respiratórios durante a noite. Apesar disso, grande parte dessas pessoas não procura avaliação especializada.

Com o avanço da medicina do sono, hoje temos ferramentas importantes para investigar o que acontece durante a noite. No Laboratório do Sono, por exemplo, realizamos exames neurológicos que ajudam a compreender melhor esses problemas. Entre eles está o eletroencefalograma (EEG), também conhecido como mapeamento cerebral, que avalia a atividade elétrica do cérebro. Outro exame fundamental é a polissonografia, considerada o principal método para o diagnóstico de diversos distúrbios do sono. Durante a polissonografia, diversos parâmetros são monitorados enquanto o paciente dorme, como atividade cerebral, respiração, batimentos cardíacos, movimentos e níveis de oxigênio no sangue.

Muitas vezes, esses exames revelam algo que o próprio paciente não percebe: a qualidade do sono pode estar muito comprometida mesmo quando a pessoa acredita que está dormindo normalmente.

Ao longo desses mais de 30 anos de experiência, uma das lições mais importantes que aprendi é que o sono exerce uma influência profunda sobre o funcionamento do organismo. Durante a noite ocorrem processos essenciais como a consolidação da memória, a regulação hormonal, a recuperação energética e o fortalecimento do sistema imunológico.

Quando o sono é inadequado ou fragmentado, o organismo começa a sentir os efeitos. Não é por acaso que diversos estudos associam a privação de sono ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, alterações metabólicas, dificuldades cognitivas e problemas de humor.

Por isso, sempre reforço aos pacientes que dormir bem não é apenas descansar — é cuidar da saúde.

O Dia Mundial do Sono existe justamente para lembrar algo que muitas vezes esquecemos no ritmo acelerado da vida moderna: priorizar o sono é uma decisão importante para a saúde física, mental e emocional.

Depois de tantos anos atendendo pacientes, continuo convencido de que melhorar o sono de alguém pode transformar profundamente sua qualidade de vida. E muitas vezes essa mudança começa com um passo simples: reconhecer que o sono merece atenção, investigação e cuidado. Por Dr. Marco Aurélio Ubiali – médico neurologista

Delegado do World Sleep Day

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