Distúrbios do Sono na Doença de Parkinson
- Dr. Ubiali

- 9 de nov.
- 3 min de leitura
Por Dr. Marco Aurélio Ubiali – Neurologista | CRM 32385

Os distúrbios do sono são extremamente comuns em pacientes com Doença de Parkinson (DP) e representam um fator importante de perda de qualidade de vida. Além de aumentarem o risco de quedas, fadiga e déficit cognitivo, eles também trazem impactos socioeconômicos significativos, afetando tanto o paciente quanto sua família.
Atualmente, compreende-se que os distúrbios do sono não são apenas consequências secundárias da doença, mas parte integrante do processo neurodegenerativo. A DP está associada à degeneração de neurônios dopaminérgicos e ao depósito anormal de proteínas como α-sinucleína e tau. O sistema dopaminérgico, responsável pelo equilíbrio entre sono e vigília, tem papel central nesse processo: enquanto a dopamina nos gânglios da base estimula o sono, o sistema dopaminérgico extra-gânglios promove a vigília.
Entre os distúrbios mais frequentes na DP estão:
Insônia
Síndrome das Pernas Inquietas (SPI)
Distúrbio do Comportamento do Sono REM (DCS)
Sonolência Excessiva Diurna (SED)
Distúrbios Respiratórios do Sono (DRS)
O diagnóstico é feito através de avaliação clínica detalhada, questionários de sono e, quando necessário, polissonografia – exame que monitora o sono do paciente durante a noite.
Manejo e tratamento
O tratamento deve começar com orientações sobre higiene do sono e estratégias não farmacológicas, associadas ao ajuste cuidadoso das medicações antiparkinsonianas. Embora existam medicamentos com efeito positivo sobre o sono, seus resultados variam entre os pacientes, e o controle ideal depende de abordagem individualizada.
Uma revisão conduzida por Taximaimaiti e colaboradores (2021) destacou as principais intervenções farmacológicas e não farmacológicas para melhorar o sono na DP. Abaixo, um resumo dos principais distúrbios e suas abordagens.
Insônia
A insônia é o distúrbio do sono mais comum na DP, geralmente caracterizada por sono fragmentado. Está relacionada a sintomas motores noturnos, depressão, efeitos colaterais de medicamentos e disfunções autonômicas.
Alguns fármacos utilizados na DP – como agonistas dopaminérgicos (cabergolina, pergolida), selegilina, rasagilina e entacapona – podem tanto melhorar quanto piorar a insônia, dependendo da dose e da resposta individual.
Em muitos casos, ajustar a medicação dopaminérgica é o primeiro passo para melhorar o sono. Doses mais baixas de agonistas dopaminérgicos costumam reduzir a vigília e melhorar a qualidade do sono.
Medicamentos como doxepina, quetiapina e melatonina também demonstram bons resultados, ajudando a restaurar o ciclo natural de sono e a reduzir sintomas associados, como fadiga e ansiedade noturna.
Síndrome das Pernas Inquietas (SPI)
A SPI é caracterizada por uma sensação de desconforto nas pernas, com necessidade irresistível de movimentá-las, dificultando o início do sono.Em pacientes com DP, acredita-se que esteja relacionada à disfunção dopaminérgica.
O tratamento inclui levodopa e agonistas dopaminérgicos, geralmente administrados algumas horas antes de dormir. Alternativas como gabapentina e pregabalina também podem ser eficazes, embora apresentem efeitos colaterais como sonolência e ganho de peso.
Distúrbio do Comportamento do Sono REM (DCS)
No DCS, o paciente “atua” seus sonhos, podendo falar, gritar ou mover-se bruscamente durante o sono REM.É comum em estágios iniciais da DP e pode ser um sinal precoce da doença.
O tratamento mais utilizado é o clonazepam, muitas vezes associado à melatonina ou a outros agentes como pramipexol. Em casos resistentes, rivastigmina e memantina podem ser opções.
Sonolência Excessiva Diurna (SED)
A SED está relacionada à degeneração de áreas cerebrais envolvidas na manutenção da vigília. É comum em pacientes com doença mais avançada e uso prolongado de dopaminérgicos.
Medicamentos como modafinil, metilfenidato e istradefilina podem ajudar a reduzir a sonolência e melhorar o estado de alerta, enquanto a melatonina e o oxibato de sódio auxiliam na melhora da qualidade do sono noturno.
Distúrbios Respiratórios do Sono (DRS)
Entre os DRS, a apneia obstrutiva do sono (AOS) é a mais frequente, acometendo até 60% dos pacientes com DP. Ela está associada a ronco, pausas respiratórias e sonolência diurna, podendo contribuir para arritmias cardíacas, hipertensão e alterações cognitivas.
O tratamento principal é a pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), que mantém as vias abertas durante o sono e reduz significativamente os sintomas. Em casos leves, aparelhos intraorais e terapia posicional podem ser considerados.
Terapias não farmacológicas
Além dos medicamentos, intervenções comportamentais e físicas desempenham papel essencial:
Higiene do sono: manter horários regulares, evitar estimulantes como café e álcool antes de dormir e reduzir cochilos diurnos prolongados.
Exercícios físicos regulares, adaptados à capacidade de cada paciente, melhoram o humor, reduzem a rigidez e favorecem um sono mais profundo.
Terapia cognitivo-comportamental (TCC-I) e terapia de luz ajudam a restaurar o ciclo sono-vigília e a tratar a insônia crônica.
Conclusão
Os distúrbios do sono na Doença de Parkinson exigem avaliação cuidadosa e abordagem multidisciplinar. A combinação de tratamentos farmacológicos e não farmacológicos é a estratégia mais eficaz para melhorar o sono, a cognição e a qualidade de vida.
Cada paciente apresenta um perfil diferente de sintomas, e o acompanhamento médico contínuo é fundamental para ajustar a medicação e prevenir complicações.
Dr. Marco Aurélio Ubiali
Neurologista – CRM 32385
Laboratório do Sono Dr. Ubiali – Franca/SP




Fui diagnosticada com doença de Parkinson há quatro anos. Por mais de dois anos, dependi da levodopa e de vários outros medicamentos, mas, infelizmente, os sintomas continuaram piorando. Os tremores se tornaram mais perceptíveis e meu equilíbrio e mobilidade começaram a declinar rapidamente. No ano passado, por desespero e esperança, decidi experimentar um programa de tratamento à base de ervas da NaturePath Herbal Clinic.
Sinceramente, eu estava cética no início, mas, poucos meses após o início do tratamento, comecei a notar mudanças reais. Meus movimentos ficaram mais suaves, os tremores diminuíram e me senti mais firme ao caminhar. Incrivelmente, também recuperei grande parte da minha energia e confiança. Tem sido uma experiência transformadora. Me sinto mais eu mesma novamente, melhor…