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Os rins e uma nova hipótese para o Parkinson

Por Dr. Marco Aurélio Ubiali


Durante décadas, acreditou-se que a doença de Parkinson tivesse origem exclusivamente no cérebro, resultado de alterações nas áreas que controlam o movimento e a produção de dopamina.Entretanto, um estudo recente publicado na revista Nature Neuroscience está desafiando essa visão tradicional ao sugerir que os rins podem ter um papel ativo no início do processo neurodegenerativo.


Os pesquisadores identificaram que a alfa-sinucleína, proteína diretamente relacionada ao Parkinson, pode acumular-se nos rins e, a partir deles, se espalhar pelo sistema nervoso até alcançar o cérebro. Essa rota alternativa amplia de forma significativa a compreensão sobre como a doença pode se desenvolver.


O trabalho envolveu análises de tecidos humanos e experimentos com modelos animais.Foram encontrados depósitos de alfa-sinucleína nos rins de pacientes com doenças de corpos de Lewy e também em pessoas com doença renal terminal, mesmo na ausência de sintomas neurológicos.

Normalmente, os rins atuam como filtros, eliminando substâncias tóxicas do sangue — entre elas, pequenas quantidades de alfa-sinucleína.Porém, quando a função renal está comprometida, essa proteína pode se acumular na corrente sanguínea e migrar em direção ao cérebro, favorecendo o início de um processo inflamatório e degenerativo.


Nos experimentos com camundongos, os cientistas injetaram fibrilas de alfa-sinucleína diretamente nos rins. Com o tempo, observaram alterações patológicas no cérebro muito semelhantes às do Parkinson.Quando os nervos que conectam os rins ao sistema nervoso central foram cortados, esse efeito desapareceu — o que sugere que existe uma via neural direta entre o rim e o cérebro, capaz de transportar a proteína patológica.

Além disso, animais geneticamente modificados para não produzirem alfa-sinucleína circulante apresentaram menos danos cerebrais, reforçando a hipótese de que a proteína pode viajar do rim até o sistema nervoso.


Esses achados trazem implicações importantes.Segundo o autor principal do estudo, Zhentao Zhang, “os rins não são apenas espectadores, mas podem ser o ponto de partida”.

Isso significa que a doença renal crônica — condição relativamente comum em idosos — pode aumentar o risco de desenvolver Parkinson, ao dificultar a eliminação adequada da alfa-sinucleína e permitir sua propagação pelo corpo.


Essa descoberta abre espaço para uma nova abordagem: investigar marcadores precoces de neurodegeneração fora do cérebro, o que pode levar a estratégias de prevenção e diagnóstico muito mais amplas.


O estudo reforça uma ideia que a medicina moderna tem revisitado com frequência:as doenças do cérebro não começam necessariamente no cérebro.O organismo é um sistema interconectado, e compreender essas vias — de órgãos periféricos para o sistema nervoso — pode transformar completamente nossa visão sobre doenças neurodegenerativas.

Talvez, ao cuidar melhor dos rins e de outros órgãos-chave, estejamos também protegendo o cérebro.


Referência:Yuan X. et al. (2025). Propagation of pathologic α-synuclein from kidney to brain may contribute to Parkinson’s disease.Nature Neuroscience. DOI: 10.1038/s41593-024-01866-2


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1 comentário


Robert6
Robert6
12 de nov.

Fui diagnosticada com doença de Parkinson há quatro anos. Por mais de dois anos, dependi da levodopa e de vários outros medicamentos, mas, infelizmente, os sintomas continuaram piorando. Os tremores se tornaram mais perceptíveis e meu equilíbrio e mobilidade começaram a declinar rapidamente. No ano passado, por desespero e esperança, decidi experimentar um programa de tratamento à base de ervas da NaturePath Herbal Clinic.

Sinceramente, eu estava cética no início, mas, poucos meses após o início do tratamento, comecei a notar mudanças reais. Meus movimentos ficaram mais suaves, os tremores diminuíram e me senti mais firme ao caminhar. Incrivelmente, também recuperei grande parte da minha energia e confiança. Tem sido uma experiência transformadora. Me sinto mais eu mesma novamente, melhor…

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